Outros Olhos

Do som fez-se o silêncio.

As faces, os corpos, reduziram-se àquele instante.

Quadros.

Um milhar perdido de fotografias em preto e branco.

Éramos nós os multicores.

Parou as luzes e suas piruetas manobras acrobáticas.

Parou o ar.

No ar.

Uma massa de oxigênio flutuante.

A mente continua,

Contínua-mente-indo

O gosto de seu vermelho e o toque de tua vontade

Disparada.

Movimento.

Em ondas, curvas, retas e semi-retas. Em outra direção.

Éram suas 256 cores frente ao velocímetro enganoso de um olhar distante;

Nenhum tom ofusca o brilho de uma estrela.

Um rodopio.

Descolgelado.

Voltou, metade para lá.

Acinzentou a noite,

E teu vermelho até podia consolar.

01/06/2008

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Soneto de Agonia

Fino espinho esse que finca-me o peito!

Dói qual lágrima quente em face angelical,

Tira-me o sono qual flor bela em tumba feral,

E nas horas mais tétricas da madrugada

                                    [arranca-me do leito!

 

Belo dia este dia que o Sol nasceu carmim.

Tu tiraste as trevas de meu mundo ermo.

Trouxeste-me o bálsamo de tuas palavras. E assim

Mataste, humilhaste toda a mágoa de meu

                                                [coração enfermo!

 

E chorarei em minha eterna angústia ainda

Mesmo sabendo que estás comigo e não partiste,

Esperarei ansiando-te, em agonia infinda!

 

Quero que vejas em meu nome lealdade

E por mais que não acredites, essa dor que

                                                    [aqui insiste

Não é nada mais, nada menos que saudade!

 

08/02/2006 ~ 02:45 a.m.

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Eu (-Insano)

Você está a apenas um passo de meu Eu.

Meu maior encanto não está escondido.

Olhe nos meus olhos e encontre meu coração:

Apenas os tolos vêem janelas onde só existem lágrimas.

 

Dor em mim.

 

Transforme minha sede em prazer

E meu corpo em chamas.

 

Apenas os tolos vêem saúde onde só há podridão.

Mente sã.

De mente,

Demente.

De dia. Prefiro noite.

 

Morte.

Corte.

Sangue. Vida.

 

A sua vida pulsa em minhas veias.

Estou me afogando

No mar de rosas de meu destino.

Os espinhos das rosas, veneno.

Sereno.

Agora meu corpo pode ser seu.

Eu.

 

12/04/2005

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Soneto do Desejo Ardente

Por que, Luxúria, tomas assim minha mente?

Vingando-se por ter sido subjugada

Tortura-me agora tornando meu corpo quente,

Jorrando desejo pela pele salgada.

 

Desejo por um corpo proibido, pecado nem tão original

Gosto de volúpia ardente

Sentindo tua languidez crescente

Me perdendo nesse ato deliciosamente carnal…

 

Minha libido pelos teus gozos clama

Pelo deleite insano, puramente mundano,

Egoísta, hedonista, vaidoso… humano!

 

Quero, em prazeres contigo, arder em chamas,

Que em teu ápice grite o meu nome.

E de todo esse desejo impuro, sacie minha fome!

 

26/02/2007 – 23:00hs

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Último Trago

Mais um trago.

Mais um trago deste rum rasga-me a garganta

Como o fio de uma navalha.

Ensanguentada;

O sangue derramado do corpo que momentos antes gritava,

Gemia, fremia em meus braços;

Carne.

Ali éramos carne:

Sem coração ou alma;

Mente ou sentimento.

Fruto das mais belas e tenebrosas criaturas da noite.

Dos becos e bares; Bêbados e bárbaros.

Mulheres sem lar, vidas sem esperança ou regozijos de amores,

Dinheiro ou descanço.

Apenas ecos esquecidos do que chamam de gente;

Nós.

Envoltos pelas trevas;

No berço do abandono, como cães vadios ladrando na escuridão.

Em um canto úmido, escuso das luzes da cidade;

O som do zarpar dos navios da madrugada,

Entre corpos caídos e mentes despedaçadas.

Eu em ti – homem, corpo, carne –

Renascendo apenas para trazer-te a vida à tona.

Ti, morrendo aos poucos,

Desfalecendo como pétala, esvaindo-se como feno.

Matando-me em tua despedida,

Sepultando meu sol e minha estrela;

Levando à tumba meu fluído da vida.

Escorre o sangue na navalha.

Deixando-me como herança teu último grito – grito da carne;

Animalesca sede de vida;

Gozo por ti assassinado;

Prazer por ti enterrado.

Eternamente grato por teu gesto,

Encerro meus dias nesta garrafa de rum já findado.

24/11/2007 – Fran’s Café

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